O Mundo das Coisas Pirosas

Quero um bilhete de ida para o mundo das coisas pirosas e nunca mais voltar. Quero alguém que queira o mesmo e que o queira mesmo! Que se deixe de merdas e venha comigo! Quero alterar o meu estado civil para "Numa relação" e monopolizar o seu mural, rematar com uma foto de perfil de nós dois. Quero borboletas na barriga, nervoso miudinho e trocar 3 vezes de roupa antes de a ir buscar. Quero prendas por ser Quarta-Feira ou porque o dia do mês é par. Quero ramos de flores e balões, corações insufláveis e bolas de sabão, peluches, chocolates e tudo o mais que for foleiro. Quero as nossas iniciais unidas por um sinal de mais cravadas no tronco dum pinheiro. Quero tardes no aquário Vasco da Gama e idas ao planetário, o teleférico do jardim zoológico e visitas ao oceanário. Quero drive-in e noites de cinema ao ar livre, filmes no banco de trás. Quero um batido de morango com duas palhinhas em caracol, copos de gelado de duas bolas em que cada um escolhe um sabor. Quero pic-nics no meio de Lisboa durante a hora de almoço, cesta de verga e manta axadrezada incluídas. Quero jantares à luz da vela numa mesa de plástico tirada da bagageira e montadas à pressa na encosta duma falésia, o radio a tocar. Quero pores-do-sol e noites de lua cheia, apagar estrelas com a ponta dos dedos deitados no capot do carro . Quero telefonemas de 3h que acabam em "Desliga tu, não desliga tu, não desliga tu", contarmos os dois até três e nenhum dos dois desligar. Quero uma mensagem de "Bom Dia", outra de "Boa Noite" e um "Amo-te" sem hora marcada sempre que apertar a saudade. Quero ser o "contacto de emergência" e ultima chamada recebida, feita, perdida. Quero nomes de código e um toque só para mim. Quero gravar cd's com musicas lamechas e ter longos debates sobre qual é a nossa canção. Quero dançar abraçado à chuva na ribalta de um candeeiro de rua, serenatas! Quero demonstrações pungentes de afecto temperadas com entregas desmedidas de amor. Quero um beijo num sinal vermelho, que fica verde e outra vez vermelho, e 30 carros a buzinar. Quero dedos entrelaçados e palmas das mãos suadas pela força de não se largarem. Quero um nó de pernas debaixo dum cobertor e pantufas a condizer. Quero acesas disputas sobre quem controla o telecomando. Quero ir sair para beber café e acabar na Pousada de Portugal de Bragança, em Paris ou nas Ramblas. Quero escapadinhas de dois dias de Segunda a Domingo e amor de verão o ano inteiro. Quero sprints um contra o outro à chegada de comboios e aviões, que terminam num salto encarpado para os meus braços e ela a rodopiar no ar. Quero escolher alianças, nomes de crianças e tardes intermináveis de IKEA. Quero banhos de espuma e duches para dois. Quero recadinhos em pasta de dentes no espelho da casa-de-banho e um copo com duas escovas. Quero discussões no meio da rua e gritaria ás 3 da manhã. Quero acabar tudo e arrancar a fundo, guiar 10 metros e travar. Fazer marcha-atrás a chorar, pedir desculpa e implorar, recomeçar. Quero passar a noite a fazer as pazes, adormecer em conchinha com uns pés pequeninos em cima dos meus. Quero acordar-la com um beijo, pequeno-almoço na cama e estar tudo bem. Quero-a lá, saúde e doença, riqueza e pobreza e que nem a morte nos separe, porque eu sei, e ela também, que os problemas que se tem com alguém, são tão melhores que os de não ter ninguém.

Para a Sara, que queria piroseiras na vida dela.
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