Start Dreaming!

Na tua cama de corpo e meio, mora um coração enorme que deixou de funcionar, não há nada de errado com ele, mas a dona não o quer usar, garante que está estragado, que ninguém o consegue arranjar, está fora-de-serviço, não vale a pena tentar, guarda no peito um coração tão grande mas não deixa ninguém lá entrar.

Na tua cama de corpo e meio, aguenta mais que aquilo que a achas achas capaz de guardar, os males que vêm de trás, até então os maiores de sempre, até um mal maior chegar, e sem se queixar, a cama que mal suportava o peso dos problemas que tinha, carrega sem um ranger, os problemas que faltavam, e os que ficam a faltar.

Na tua cama de corpo e meio, até o vazio ocupa lugar, o vazio de quem não está, de quem não quis ficar, mas que tem o espaço guardado à espera do dia em que decida voltar. As saudades dos amores amores, e dos outros amores que há, de Lisboa à Póvoa à Suíça, que vais encaixando uns nos outros até os conseguires arrumar.

Na tua cama de corpo e meio, cabe o teu corpo e o meu, espremido entre a conchinha grande e uma outra mais pequena, chega até a caber algo nosso, planos para qualquer coisa a dois. A mulher que eu quero ter, a mãe que tu queres ser, dois meninos, uma menina, e os nomes que eles vão ter, sonho até nascer o sol e a manhã deita tudo a perder.

Na tua cama de corpo e meio, dorme uma rapariga estragada, e um rapaz que a quer arranjar, dar-lhe corda ao coração, tentar pô-lo a trabalhar, salvá-la do horror dos Domingos, mas ela não quer deixar. Ela quer um amigo e "amigos" não vai chegar. Na tua cama de corpo e meio, há lugar para o mundo inteiro, mas nunca houve lugar para mim.

Para a Sara
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