Joni Mitchell Never Lies!

Ainda não consegui digerir o post do outro dia! Não pode ser assim tão dificil ser feliz! Não pode, não pode, NÃO PODE! Dá a ideia que é que é entre ser feliz ou ser atingido por um raio, é sair à rua e ver o que acontece primeiro que a probabilidade é mais ou menos a mesma e pode dar para qualquer um dos lados! Não pode! Não pode mesmo! E a verdade é que acho que não é, que é culpa nossa, nós é que o complicamos e lixamos tudo e acabamos por colher a infelicidade que semiamos.

Comecei a pensar em ex-namoradas, raparigas com quem eu quis andar e não quiseram andar comigo, ou mesmo as que quiseram. Vou começar pela mais obvia, a Tânia! Pela altura que a Tãnia quis andar comigo, já eu andava à meio ano a querer andar com ela, e se é verdade que em todos os relacionamentos há uma parte que dá e outra que recebe, eu fui a parte que dei, e dei e dei e dei, até ao dia em que não deu mais! Daí em diante, a Tânia passou anos a tentar recuperar aquilo que deitou a perder enquanto foi bue confortável ser a parte receptora daquele namoro. Ainda tentámos voltar ou deixámos a situação arrastar-se muito para lá do que devia, mas claro que não deu certo, nunca mais foi a mesma coisa, voltar para o quê quando o sentimento já não lá está? Como diz o António, "quando um coração se fecha, faz muito mais barulho do que uma porta."

A Tânia já namora outra vez, e pode até ser pretensiosimo, provavelmente é, mas acredito que se lhe dessem a oportunidade de voltar atrás, ela fazia as coisas de maneira diferente, que se lhe fosse dado a escolher, ela preferia que as coisas entre nós tivessem funcionado, e a parte triste, é que podia até ter funcionado, não tivesse ela fodido tudo ao inicio.

Mas a lista continua, a Sara! Conhecemo-nos no secundário e ela gostou de mim desde logo, e para lá do gostar, nunca houve nada entre nós e eventualmente ela começou a namorar com outro tipo qualquer, e outro depois desse, e um depois desses dois, adiante... Ainda hoje (ainda ontem) quando me apanha no Facebook vem-me dizer qualquer coisa, e tudo aquilo que diz tem a ver com os tempos de secundário, e é dito com mais nostalgia e saudosismo que o que era suposto vindo de alguem que vive junta com o namorado de quem já tem um filho!

Como ela nunca fala de um nem do outro, eu perguntei por eles e como é que tinha acontecido tudo. Ela disse "aconteceu" e que depois de "acontecer" o que fazia mais sentido era juntarem-se... pois, e quando dás por ti estás numa vida que não é a que imaginaste, com alguém que se calhar, não é bem quem tu querias e se a paixãozinha do secundário calha a ficar online, não resiste a dizer qualquer coisa, porque se formos a pesar bem as coisas o peso do que podia ter sido, desiquilibra a balança mais que aquilo que devia para o lado errado da coisa.

A Cátia, a rapariga que eu decidi levar ao Baile de Finalistas, na altura nem a conhecia, foi só de a ver passar na rua. Eventualmente arranjei maneira de a conhecer e fomos sair umas vezes, ela estava apaixonada por uma sandálias que moravam na montra duma sapataria. Quando ela fez anos , comprei as sandálias e um livro da cinderela, e a noite antes, trepei ao 1º andar do prédio dela na Rua J.J. Fernandes no Lavradio, e deixei as sandálias e o livro embrulhados num laço vermelho no parapeito da janela dela. Há uns meses atrás (10 anos mais tarde), mandou-me uma mensangem que dizia "Até hoje, nunca ninguem voltou a fazer nada assim por mim" ... pois, mas se a memoria não me falha, e eu sei que não me falha, na altura ela tinha outros planos que não me incluiam a mim. Agora tem um filho de um ex-namorado, que não é o mesmo ex-namorado de quem tem o segundo filho, e sim, já os dois são ex's! Que azar não é?

Mais a Filipa, ou a Sofia... sei lá! Não importa, mas não devem estar assim tão estupidamente felizes na vida que levam, ou não me diziam as coisas que dizem, e até lhes dou o beneficio da duvida e admito que seja da boca pra fora, flirtizinho de café inconsequente, mas seja como for, tivesse eu a viver a vida que imaginei ao lado da miuda que sonhei, que não perdia o meu tempo a dar conversa a fosse que ex-amor fosse, porque das duas uma, ou qualquer sentimento está tão ultrapassado que qualquer conversa que se possa ter é tão natural que não tem margem para equivocos sobre os amigos que ficámos, ou então não está assim ultrapassado nem a ideia do que podia ter sido apagada, e se não está, é porque com quem estão não chegou para a apagar, e se não chegou, porque é que estão? Porque é que não continuam a procurar até encontrarem o tipo que as faça olhar para trás com a certeza de que, estão tão melhor assim?

A mesma história com toda essa conversa de tipos certos na altura erradas! Sabem quem são as minhas "miudas certas na altura errada"? São aquelas a quem eu dei o melhor de mim e não quiseram saber ou não deram valor, ou deram, eventualmente, por norma quando já era tarde demais, depois de terem deitado tudo a perder, mas pior, há um ou outro nome nesta minha ilustre lista de "Fuck up's" que sabia à partida aquilo de que estavam a abrir mão, mas decidiram ainda assim que o melhor era eu ir à minha vida e elas à dela, mas avisando-me desde logo para me certificar que a minha vida não me leva para muito longe, para estar por perto quando o dia em que elas se arrependem chegar! Bem, se vos dissesse quantas relações minhas acabaram com "Sei que não vou encontrar outro tipo como tu" ou "És o tipo que toda a rapariga sonha encontrar", se eu vos dissesse quantas vezes fui o "tipo certo na hora errada" vocês não acreditavam.

Conceber a ideia da pessoa certa na hora errada é por um prazo de validade na felicidade! É desvalorizar a dificuldade que é encontrar alguem que nos faça feliz, um amor! A pessoa certa é a pessoa certa, não há altura errada para a encontrar, ou se há há-de ser "mais tarde" já que eu quero ser feliz "o mais depressa possivel"!! Quando a felicidade nos bate à porta, a única coisa a fazer é recebê-la de braços abertos e nunca a mais a deixar ir embora! Dizer que alguem veio na altura errada, é o mesmo que dizer, que é cedo, ou tarde demais para ser ser feliz! Que estupidez! É de gente que não quer ser feliz, e por mim é na boa, há o vicio do jogo, o vicio da droga, há-de certamente haver o vicio da infelicidade para o pessoal que só tá bem a queixar-se de qualquer coisa, mas façam-me um favor e poupem-me a hipocrisia do desgosto que é a vida que vocês escolheram! E se chegar o dia em que se arrependem, façam-me outro favor e não me digam nada, porque eu ñ vou querer saber.

Primeiro, porque é o reconhecimento de que uma das partes fodeu a felicidade dos dois, e nada me chateia mais que um "Se" a pesar-me no peito. Ela querer sabotar a sua felicidade e continuar infeliz, é lá com ela, eu não julgo ninguém, mas eu levo muito a peito quem vem mexer com a minha, quando a minha passava por estar com ela. Segundo, "mais tarde será tarde e já é tarde" para fazer diferença, logo, prefiro não saber para continuar a pensar que estão felicissimas na vida que escolheram, que estão tão melhor sem mim.

Cada um à sua maneira todos nós semiamos a nossa infelicidade! Em não dar valor ao que se têm até à altura em que o perdemos. A insistir em algo que sabemos à partida que não é o melhor para nós mas que por teimosia recusámos abrir mão! A ficar com alguem que sabemos desde o inicio que nunca nos vai ter como a prioridade que precisamos de ser na vida de alguem. Quando nos contentamos com a vida que temos e ficamos a pensar no que podia ter sido com outra pessoa qualquer que na altura decidimos não arriscar. Em deitar a perder o que temos com alguem que nos quer para sempre, por umas noites com alguem que nos quer só para umas voltinhas. Sei lá, há 1001 maneiras de lixar isto, e é isso que a estatistica comprova, não que seja dificil ser feliz, não é, eu dou-vos sem pensar muito nisso o nome de 5 miudas com quem eu tinha sido e tinha feito "estupidamente felizes" não tivessem elas fudido tudo por dá cá aquela palha que... surpresa das surpresas, não deu em nada.

E eu não sou diferente, tambem semeio a minha infelicidade, naturalmente à minha maneira muito singular. Posso até estar sozinho e desejoso de arranjar uma namorada quando a Tânia se apercebe que tinhamos tudo para dár certo e quer voltar. Posso até não ter ninguem no dia em que a Sofia me encontra no café e diz "Olá Zé, vá-lá, dá-me dois beijos, não sejas mal-criado!" 4 anos depois de deixarmos de nos falar, quando a pena de não ir funcionar entre nós por ela "não querer andar com ninguem" da vespera, se transforma no enrolar-se com um tipo qq no dia seguinte.

Posso continuar a acreditar que ao lado de qualquer uma delas, encontrava aquilo que passo a vida a procurar, a felicidade que sonhei, o amor que imaginei, e que a unica coisa que é preciso para o conseguir, é por de lado o que aconteceu entre nós há 10 anos atrás. Que se eu ainda aqui estou, e elas ainda ali estão, então quer dizer que é tarde demais para o que podia ter sido acontecer e sermos felizes os dois. Era só eu conseguir perdoar-lhes, e não consigo, nenhuma delas. E são essas as sementes da infelicidade que eu semeio, o meu râncor, e ele... é infinito.

And why you wanna go and do that? And do that?

Dúvida Existêncial Nº 34

Quando se fecha uma porta abre-se uma janela, já sei, mas e se eu precisar que uma janela se abra? Começo por bater com a porta?

Sísifo

Recomeça...
Se puderes,
Sem angústia e sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro,
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.

E, nunca saciado,
Vai colhendo
Ilusões sucessivas no pomar
E vendo
Acordado,
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças.


Miguel Torga

Looking For Alaska

"I wanted so badly to lie down next to her on the couch, to wrap my arms around her and sleep. Not fuck, like in those movies. Not even have sex. Just sleep together, in the most innocent sense of the phrase. But I lacked the courage and she had a boyfriend and I was gawky and she was gorgeous and I was hopelessly boring and she was endlessly fascinating. So I walked back to my room and collapsed on the bottom bunk, thinking that if people were rain, I was drizzle and she was a hurricane."

John Green

Crazy, Stupid, Love!

A Pipa e o Torres. São a minha reposta para a pergunta que tenho feito a toda a gente ultimamente. "Quantos casais conheces que sejam estupidamente felizes? Aquela felicidade invejável que te faz pensar "é isto que eu quero para mim", "é com isto que eu sonho"". É estranho quando pensamos nisso, de entre a imensidão de pessoas que conheço, era suposto haver mais uns quantos nomes nessa lista de casais estupidamente felizes, mas não há, e não me parece que seja culpa minha, de todas as vezes que fiz a pergunta em grupos de amigos completamente diferentes, nunca ninguem me respondeu "conheço uma serie deles", a maior parte das vezes, acham que conhecem um, dois os mais felizardos, a maioria não conhece nenhum, custa a crêr que seja verdade, mas na realidade, a felicidade é muito mais rara que aquilo que gostavamos de acreditar, tão dificil de encontrar.

Por mais chocante que seja ser confrontado com a dura realidade das coisas, a verdade é que não é uma surpresa, é senso comum que mais de metade dos casamentos de hoje acaba em divórcio, e mesmo esse numero assutador não engloba as separações das uniões de facto, ou de pessoas que simplesmente se "juntaram". Não engloba naturalmente também o numero de pessoas que nunca chegaram a casar, e pior ainda, os casamentos acabados que só não entram na estatistica porque o divórcio era demasiado complicado, e demasiado dispendioso, mais a divisao de bens e a custódia dos filhos e quem fica com o piriquito, que mais vale continuar casado.

Nos ultimos tempos tenho andado a pensar numa serie de coisas, tantas que não tenho a certeza se consigo ordena-las de maneira a fazerem sentido, sejam pacientes comigo, ou não sejam, que se lixe, já nem eu tenho paciencia para pensar nisto, é desgastante e não nos leva a lado nenhum.

Foi o Thomas Paine que disse "If there must be trouble, let it be in my day, that my child may have peace", e eu concordo com ele. Acho que os filhos tentam a todo o custo fugir dos erros que os pais deles comenteram. Os filhos negligenciados dos pais que se dedicaram à carreira, juram que vão por a familia em primeiro lugar. Os filhos dos pais presentes, que se preocuparam mais com a familia que com a carreira, garantem que hão-de ser bem sucedidos e que a familia dele nunca há-de passar por necessidades, e que nunca nada lhes há-de faltar, a não ser se calhar um pai que esteja lá para os filhos.

Se calhar é consequencia desta minha vivência num universo de pais separados, de casamentos falhados e vidas a dois que não deram certo, que me faz querer mais que qualquer outra coisa algo que dure para sempre, porque por mais que eu pense que não, no fundo sou igual aos outros todos e cabo nas mesmas caixas, e como os outros, quero poupar aos filhos que hei-de ter os problemas que eu tive na vida que me calhou, e tirar algo de bom dos meus males, mesmo que só uma lição daquilo que a minha vida foi que eu não quero que a deles seja.

Desculpem ser eu a dizer-vos isto, odeio ser o portador de más noticias, mas a julgar pelos numeros, posso-vos dizer desde já que a grande maioria de nós vai acabar divorciado, sozinho, ou preso num casamento que não é mais o que imaginámos, com alguem que acabou por não se tornar em quem nós queriamos que fosse, ou que pelo caminho deixou de ser a pessoa com quem nós decidimos ficar quando tudo começou. É o que faz mais sentido não é? É natural acharmos que vamos ser a excepção, mas a realidade insiste em mostrar-nos o contrário, e ela é notoria por ter normalmente razão.

... mas queria tanto ser eu, sabem? A excepção! A "Pipa e o Torres" de alguém, que sonhasse para ele o que eu consegui para mim. E tá visto que fazer o "quanto baste" não basta, nem é suficiente para um "felizes para sempre" ou a estatistica não é o que era. E para lhe fugir, esforço-me para mostrar desde o inicio, desde sempre, desde já, áquela com quem quero ficar, que faço mais, e melhor que qualquer outra pessoa, para assegurar que vamos ter o amor que sonhámos e garantir que vai ser o nosso nome que alguem vai dizer quando um amigo meio estranho meio metido para com ele no seu mundinho de pensamentos ridiculos, lhe perguntar na esplanda de um café "Quantos casais estupidamente felizes conheces?". A felicidade é muito mais rara que aquilo que gostavamos de acreditar, tão dificil de encontrar... que acredito piamente que é preciso um empenhamento tal, uma dedicação brutal, uma entrega desmedida para a conseguir. É preciso agarra-la com uma força tal para que ela não nos consiga fugir, e não franquejar, nunca lhe dar uma oportunidade de escapar.

E agora algo completamente não relacionado, ou mais ou menos, um amigo meu tatuou em cada braço, respectivamente "Uma vida" "Uma oportunidade", na altura achei a tatuagem mais parva do mundo, e fiz questao de lho dizer a cada oportunidade que tinha, remantando inveravelmente com um "e sabes que isso fica aí para sempre certo?", mas agora vejo que estava errado e que era ele que tinha razão, é mesmo isso, uma vida, uma oportunidade, e eu quero ser estupidamente feliz na unica oportunidade que me foi dada. E digo-vos que consigo ser feliz num trabalho que eu não goste, que não me faça realizado profissionalmente, posso ser feliz numa casa que não a dos meus sonhos ou a guiar um carro que não é o que eu queria... mas garanto-vos que não vou ser feliz ao lado de alguem que eu não ame mais que a vida e que me ame a mim na mesma medida, e que faça tudo e vá ao fim do mundo para me fazer feliz, tal como eu farei o que for preciso para assegurar que somos tão felizes como imaginamos os dois que iamos ser, e que quando a oportunidade que nos foi dada chegar ao fim, nós fomos a excepção que desafiou a regra e conseguio por merito proprio onde os demais falharam, porque estivemos dispostos a fazer mais que os outros todos para o nosso amor não morrer.

Os meus amigos dizem que eu faço mal, que faço muito, dou demais, me esforço demasiado, que tenho de deixar de lidar com o amor como se a minha vida dependesse disso, mas o que eles não sabem ou ainda ñ perceberam... é que depende mesmo.

Metade

Que a força do medo que tenho, não me impeça de ver o que anseio. Que a morte de tudo em que acredito não me tape os ouvidos e a boca. Porque metade de mim é o que eu grito, mas a outra metade é silêncio.

Que a música que ouço ao longe seja linda ainda que tristeza. Que a mulher que eu amo seja para sempre amada mesmo que distante. Porque metade de mim é partida, mas a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor, apenas respeitadas, como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos. Porque metade de mim é o que ouço, mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora se transforme na calma e na paz que eu mereço, e que essa tensão que me corrói por dentro seja um dia recompensada. Porque metade de mim é o que eu penso, mas a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável. Que o espelho reflicta em meu rosto um doce sorriso que eu me lembro ter dado na infância. Porque metade de mim é a lembrança do que fui, a outra metade eu não sei.

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria para me fazer aquietar o espírito, e que o teu silêncio me fale cada vez mais. Porque metade de mim é abrigo mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta, mesmo que ela não saiba, e que ninguém a tente complicar porque é preciso simplicidade para fazè-la florescer. Porque metade de mim é plateia, e a outra metade é canção.

E que a minha loucura seja perdoada, porque metade de mim é amor, e a outra metade... também.


Oswaldo Montenegro
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