Crazy, Stupid, Love!

A Pipa e o Torres. São a minha reposta para a pergunta que tenho feito a toda a gente ultimamente. "Quantos casais conheces que sejam estupidamente felizes? Aquela felicidade invejável que te faz pensar "é isto que eu quero para mim", "é com isto que eu sonho"". É estranho quando pensamos nisso, de entre a imensidão de pessoas que conheço, era suposto haver mais uns quantos nomes nessa lista de casais estupidamente felizes, mas não há, e não me parece que seja culpa minha, de todas as vezes que fiz a pergunta em grupos de amigos completamente diferentes, nunca ninguem me respondeu "conheço uma serie deles", a maior parte das vezes, acham que conhecem um, dois os mais felizardos, a maioria não conhece nenhum, custa a crêr que seja verdade, mas na realidade, a felicidade é muito mais rara que aquilo que gostavamos de acreditar, tão dificil de encontrar.

Por mais chocante que seja ser confrontado com a dura realidade das coisas, a verdade é que não é uma surpresa, é senso comum que mais de metade dos casamentos de hoje acaba em divórcio, e mesmo esse numero assutador não engloba as separações das uniões de facto, ou de pessoas que simplesmente se "juntaram". Não engloba naturalmente também o numero de pessoas que nunca chegaram a casar, e pior ainda, os casamentos acabados que só não entram na estatistica porque o divórcio era demasiado complicado, e demasiado dispendioso, mais a divisao de bens e a custódia dos filhos e quem fica com o piriquito, que mais vale continuar casado.

Nos ultimos tempos tenho andado a pensar numa serie de coisas, tantas que não tenho a certeza se consigo ordena-las de maneira a fazerem sentido, sejam pacientes comigo, ou não sejam, que se lixe, já nem eu tenho paciencia para pensar nisto, é desgastante e não nos leva a lado nenhum.

Foi o Thomas Paine que disse "If there must be trouble, let it be in my day, that my child may have peace", e eu concordo com ele. Acho que os filhos tentam a todo o custo fugir dos erros que os pais deles comenteram. Os filhos negligenciados dos pais que se dedicaram à carreira, juram que vão por a familia em primeiro lugar. Os filhos dos pais presentes, que se preocuparam mais com a familia que com a carreira, garantem que hão-de ser bem sucedidos e que a familia dele nunca há-de passar por necessidades, e que nunca nada lhes há-de faltar, a não ser se calhar um pai que esteja lá para os filhos.

Se calhar é consequencia desta minha vivência num universo de pais separados, de casamentos falhados e vidas a dois que não deram certo, que me faz querer mais que qualquer outra coisa algo que dure para sempre, porque por mais que eu pense que não, no fundo sou igual aos outros todos e cabo nas mesmas caixas, e como os outros, quero poupar aos filhos que hei-de ter os problemas que eu tive na vida que me calhou, e tirar algo de bom dos meus males, mesmo que só uma lição daquilo que a minha vida foi que eu não quero que a deles seja.

Desculpem ser eu a dizer-vos isto, odeio ser o portador de más noticias, mas a julgar pelos numeros, posso-vos dizer desde já que a grande maioria de nós vai acabar divorciado, sozinho, ou preso num casamento que não é mais o que imaginámos, com alguem que acabou por não se tornar em quem nós queriamos que fosse, ou que pelo caminho deixou de ser a pessoa com quem nós decidimos ficar quando tudo começou. É o que faz mais sentido não é? É natural acharmos que vamos ser a excepção, mas a realidade insiste em mostrar-nos o contrário, e ela é notoria por ter normalmente razão.

... mas queria tanto ser eu, sabem? A excepção! A "Pipa e o Torres" de alguém, que sonhasse para ele o que eu consegui para mim. E tá visto que fazer o "quanto baste" não basta, nem é suficiente para um "felizes para sempre" ou a estatistica não é o que era. E para lhe fugir, esforço-me para mostrar desde o inicio, desde sempre, desde já, áquela com quem quero ficar, que faço mais, e melhor que qualquer outra pessoa, para assegurar que vamos ter o amor que sonhámos e garantir que vai ser o nosso nome que alguem vai dizer quando um amigo meio estranho meio metido para com ele no seu mundinho de pensamentos ridiculos, lhe perguntar na esplanda de um café "Quantos casais estupidamente felizes conheces?". A felicidade é muito mais rara que aquilo que gostavamos de acreditar, tão dificil de encontrar... que acredito piamente que é preciso um empenhamento tal, uma dedicação brutal, uma entrega desmedida para a conseguir. É preciso agarra-la com uma força tal para que ela não nos consiga fugir, e não franquejar, nunca lhe dar uma oportunidade de escapar.

E agora algo completamente não relacionado, ou mais ou menos, um amigo meu tatuou em cada braço, respectivamente "Uma vida" "Uma oportunidade", na altura achei a tatuagem mais parva do mundo, e fiz questao de lho dizer a cada oportunidade que tinha, remantando inveravelmente com um "e sabes que isso fica aí para sempre certo?", mas agora vejo que estava errado e que era ele que tinha razão, é mesmo isso, uma vida, uma oportunidade, e eu quero ser estupidamente feliz na unica oportunidade que me foi dada. E digo-vos que consigo ser feliz num trabalho que eu não goste, que não me faça realizado profissionalmente, posso ser feliz numa casa que não a dos meus sonhos ou a guiar um carro que não é o que eu queria... mas garanto-vos que não vou ser feliz ao lado de alguem que eu não ame mais que a vida e que me ame a mim na mesma medida, e que faça tudo e vá ao fim do mundo para me fazer feliz, tal como eu farei o que for preciso para assegurar que somos tão felizes como imaginamos os dois que iamos ser, e que quando a oportunidade que nos foi dada chegar ao fim, nós fomos a excepção que desafiou a regra e conseguio por merito proprio onde os demais falharam, porque estivemos dispostos a fazer mais que os outros todos para o nosso amor não morrer.

Os meus amigos dizem que eu faço mal, que faço muito, dou demais, me esforço demasiado, que tenho de deixar de lidar com o amor como se a minha vida dependesse disso, mas o que eles não sabem ou ainda ñ perceberam... é que depende mesmo.
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