The Pledge

Este sempre foi um blog modesto sem grandes aspirações de grandeza, e se é verdade que nunca fiz segredo de que o tinha, também o é que nunca fiz muita questão de o publicitar. Logo gosto de acreditar que nada daquilo que escrevo aqui é um choque para quem o lê, porque o mais certo é conhecerem-me e saberem como eu sou o como eu penso em relação a seja o que for.

Acontece o mesmo com os comentários que ocasionalmente aparecem e 90% das vezes consigo identificar o autor. Um dos ultimos não consegui, estava assinado por uma Graça, e dizia "Cativaste-me. Tens uma escrita honesta e feminina. E não estou a chamar-te nomes." ... Ehehe, obrigado Graça pelo comentário, pela visita, pelo teu tempo, se queres que te diga, estou mais preocupado em ser "eternamente responsável por aquilo que cativo" que achar que me estás a chamar nomes, porque, e aquilo que nos leva ao post de hoje, e ao primeiro dos meus problemas, mesmo que estivesses, é algo a que já me começo a habituar.

Ha uns meses atrás, tinha uma amiga do Rio cá, a Karyn, e como é da praxe, levei-a a passear por Lisboa, tirar fotografias, o costume. Em frente ao Mosteiro dos Jerónimos encontrei um amigo meu e a namorada dele, que eu ainda não conhecia e fomos sair os quatro.

Uma hora ou outra depois, sentamos no bar que tinhamos escolhido, a namorada do meu amigo diz-me que quando me conheceu pensou que eu era gay, e antes que ela conseguisse acabar a frase, a Karyn completa "eu sei, eu pensei a mesma coisa quando o conheci", e não fosse grave o suficiente as tuas terem pensado isso, tinha acontecido exactamente a mesma coisa a semana antes.

Tinha ido ter com uma amiga minha e as amigas dela que eu não conhecia a um bar aqui perto onde passamos a noite a falar de ex-namorados delas e planos maqueavelicos para se vingarem deles, quando eu digo qq coisa como "O oposto do amor, não é o odio é a indiferença, há um poema da Florbela Espanca que diz"... e recito...

Ódio seria em mim saudade infinda, / Mágoa de o ter perdido, amor ainda. / Ódio por ele? Não... não vale a pena... "

... claro está! No dia seguinte a minha amiga veio-me dizer que lhe foram todas perguntar se eu era gay. Mea culpa né? Homem que é homem não recita poemas de cor.

O foi nisso que eu fiquei a pensar, desde então, o que era que eu fazia ou dizia, que fazia com que as raparigas que eu acabava de conhecer pensassem que eu era gay, e claro está, fui perguntando ás minhas amigas que sinais errados é que eu andava a emitir para terminar de vez com a emissão, e sabem o que é que elas disseram? Que é a minha maneira de ser, o ter sempre uma frase de alguem famoso que se adequa à situação, ou um poema que diz aquilo em que estamos a pensar melhor que o sabemos dizer, uma passagem de um filme, ou uma musica, o escrever. É o abrir a porta do carro à rapariga que vái sair comigo, o segurar a porta seja de que sitio for que a gente vá, é o andar no passeio do lado da estrada, por-lhe a mão nas costas ao subir uma escada, etc, etc, etc... em suma, todo o cavalheirismo que há em mim.

Não acho que seja nada que eu faça mal, não acho que faça, acho que é o ser diferente dos rapazes a que as raparigas estão habituadas, e se sou diferente, devo ser gay, porque os outros, elas sabem, e eles fazem questão de lhes mostrar todo aquela machismo, que não são... e eu? Eu sou querido, atencioso, dedicado, discreto, modesto, romântico, que pensa em casar e no nome das filhas... o oposto do Macho Alpha portanto.

Se querem saber a verdade, esta conclusão foi uma desilusão. Queria mesmo ter conseguido encontrar qualquer coisa que eu estivesse a fazer obviamente mal, para a deixar de fazer e ficar tudo bem outra vez, sem equivocos, mas não há. Eu não estou a fazer nada mal, nenhuma das coisas que faço, são os outros tipos todos, e ainda que eu me consiga mudar a mim, não os consigo mudar a eles, logo não há nada a fazer. Mesmo que eu acredite que sou como os rapazes devem ser, atenciosos, educados, cortês, e que sejam os outros todos que estão mal, e como consequencia, induzem a erro as raparigas com quem se dão me acham depois afemeninado por comparação. Mesmo que seja eu que estou certo, e todos os outros errados, não há nada a fazer, porque ao fim do dia, eu sou sempre ser a minoria, e não tenho outra hipotese que não seja continuar a ver o meu cavalheirismo ser confundido com homosexualidade, até ao dia em que alguem perceba a diferença e reconheça o valor.

O que nos remete para o meu outro (e tão maior) problema ...




P.S. - Se começo a escrever textos sob o titulo "Os Meus Problemas (Parte ?)", tenho problemas que cheguem para mais 10 anos blog.
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