The Turn

... e depressa se vão aperceber de tudo aquilo que tem em comum com o primeiro.

No outro dia almocei com o Fatty, que de tempos a tempos exige ser posto a par das minhas ultimas desilusões amorosas, e no meio de uma conversa que já não me lembro muito bem como começou ele diz "mas metade desses nomes, são de miudas que não te dizem nada, porque se formos a ver bem, nos ultimos tempos, de quantas miudas gostaste?" ... e eu respondi-lhe, "4"!

Para vos contar da primeira dessas 4 temos de recuar 5 anos atrás, e o nome dela foi a peça do puzzle que faltava encaixar para este padrão ganhar forma e fazer sentido, só quando o escrevi há 5 posts atrás é que comecei a pensar nela, em tudo o que tinha acontecido e me apercebi que foi ela que deu inicio a esta tendência, a Sofia.

Gostei dela assim que a vi! É suposto ser assim que começam todas as grandes histórias de amor, é assim que é suposto ser, não é? E com ela foi. Conhecemo-nos em 2005, pela altura em que ela namorava com um tipo que eu conhecia, e como tal, nem nunca disse a ninguem o quanto a Sofia mexia comigo, e guardei-o para mim até um amigo em comum me vir confidenciar em tom de dilema moral, o quanto a namorada dum amigo dele mexia com ele também.

Eu disse que o compreendia, e para lhe mostrar o quanto o compreendia, falei-lhe na Sofia, e no namorado dela, que os dois conheciamos, e ele diz "Eles acabaram há já uns meses" e longe de mim desejar a desgraça alheia, mas aquilo foi musica para os meus ouvidos! Comecei a falar mais com ela, e a passarmos mais tempo juntos, eventualmente combinamos ir sair. O nosso primeiro "date" foi a apresentação do "Supafacial" dos Coldfinger na Musicbox em Lisboa.

Até há bem pouco tempo, e durante todos estes anos, a Sofia foi a detentora do titulo de "Encontro mais romântico que eu já tive". Numa noite de inicio de verão fomos jantar ao "La Paparrucha". Ficamos na ultima mesa da Sala, encostada ao vidro a jantar enquanto o sol de punha por detrás duma das colinas de Lisboa.

Depois do jantar fomos a correr para a Cinemateca, pela altura do ciclo de Cinema ao Ar Livre. Vimos o "Avanti!" sentados na ombreira duma porta enquanto bebiamos sangria num cenário que parecia tirada da musica de Lou Reed. Depois do cinema, fomos a um bar, e antes de chegar a casa, parámos no miradouro. A Sofia que por essa altura já me tinha dito que ainda não estava preparada para se atirar para outra relação, encosta a cabeça no meu ombro e diz "Mas é uma pena se isto não dér em nada!"

Umas semanas depois, estamos os dois no Algarve, quer dizer, mais ou menos, eu em Armação, ela em Monte Gordo, entre um sitio e outro, ficam 100kms. Consigo até dizer-vos o dia! 12 de Agosto de 2007! Era o ultimo dia da World Press Photo em Portimão, e um dos primeiros da Feira Mediaval de Silves, e a Sofia queria ir aos dois... e se ela queria! Fui busca-la a Monte Gordo, e fomos jantar à Feira Mediaval de Silves, saimos da Feira Mediaval de Silves a tempo de apanhar os ultimos 15 minutos da World Press Photo em Portimão, depois disso, fui a leva-la a casa a Monte Gordo e voltei para Armção. Fiz 600km's essa noite, por ela.

Umas semanas depois fomos para o Sagres Surf Fest, e na ultima noite, depois de passarmos o tempo a "desencontrar-mo-nos" sempre que eu ia ter onde ela dizia que estava, já depois do festival acabar, vejo-a voltar para o Recinto de mão dada com um tipo que entretanto tinha aparecido, e eu percebi que nunca foi o não querer estar com ninguém, queria, só não era comigo.

Voltei a ter noticias dela na manhã seguinte, numa mensagem de telemovel a lamentar a infelicidade dos nossos desencontros da noite anterior. Eu repondi que a infelicidade tinha sido não nos termos desencontrado e ela telefonou-me. Eu disse que a tinha visto, e ela acrescentou "Não ia sozinha pois não?" ... "Não" ... "e agora?" ... "Não sabes?" e desliguei o telefone. Fui a ultima vez que falei com a Sofia.

... até há 2 semanas atrás quando ela me encontrou no café, 4 anos depois e me veio dizer "Vá-lá Zé, dá-me dois beijos, não sejas mal-criado". Só depois da pergunta do Fatty e de escrever o nome dela, é que fiz as contas e dei conta, de que TODAS as raparigas por quem me apaixonei nos ultimos tempos, me trocaram por outro tipo qualquer, alguém que aos olhos delas seria tão melhor que eu e capaz de as fazer mais felizes que aquilo que eu seria, por maiores que fossem os meus esforços. Houve sempre alguém melhor, tão obviamente melhor, que por norma, nem precisou de se esforçar para conseguir, o que a muito custo, eu não consegui ter ou manter. A Sofia foi a primeira, amanhã conto-vos das outras.
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