Um História de Amor, Mais ou Menos.

Parecia ter começado ontem, mas há meio ano que aquele romance existia em segredo. As amigas dela sabiam, os amigos dele também, mas os amigos dos dois estavam longe de imaginar, e para manter as aparências, no fim de cada noite, ele era sempre o último a voluntariar-se para a levar ao carro não fosse alguém desconfiar.

Este teatro custava-lhe a vida. Era a miúda dos sonhos dele, mas a miúda dos sonhos dele, tinha sonhos só dela, sonhos em que ele não entravam. Ele só pensava nela, ela, pensava em outras coisas, mas ele gostava demasiado dela para se importar, agarrava cada bocadinho que conseguisse agarrar, aquele que ela estivesse diposta a dar, e ia ser o tipo com quem ela se deita, as vezes que fossem precisas até se tornar no tipo com que ela acorda.

Esse fim de noite não foi diferente, depois das despedida, outro alguém a levou ao carro e ele meteu-se no dele, seguiu tão vagarosamente quanto possivel para a ponta oposta de Lisboa onde morava na esperança que ela se livrasse da boleia e ligasse para ele, dissesse para ir ter com ela, lhe pedisse para a ir deitar, o convidasse para passar a noite. Ainda não estava longe quando o telefone tocou.

Abriu o pisca mesmo antes de atender e voltou para trás na 2ª circular na 1ª saida que encontrou. "Estou perdida, vou ficar sem gasolina, é tarde e eu tenho medo!" disse ela assustada. Ele reconfortou-a com um "Vai correr tudo bem, não tenhas medo" e de fundo ouvia-se as rotações do carro dele a subir, à medida que ele acelerava para a ir salvar. "Acho que já sei é que estou, mas vou ficar sem gasolina." dizia ela "Não vais nada, vai degavarinho." dizia ele já à procura do carro dela. "Sim, já estou a chegar à IC19" respondia ela "Eu estou aqui, não te precupes" dizia-lhe ele.

E assim foram o resto do caminho, com ele a fazer-lhe companhia pelo telefone assegurando-lhe que ela não estava sozinho, que ele estava ali com ela e que não deixava que nada de mal lhe acontecesse. Depois da sair da IC19, ela disse-lhe pelo telefone que tinha encontrado uma bomba, tinha medo de parar por causa da hora, ele disse-lhe para ficar descansada, que tomava conta dela. Ela respondeu "Ohh, como? Não estás aqui!" ... ele respondeu "Eu estou sempre aqui para ti!", deu dois toques nos máximos, e as luzes do carro de trás piscaram.


Para a Dani
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