An Abundance of Katherines (Part II)

Antes de deixar o Indiana, gravei um video a agradecer a todos os que fizeram do meu tempo lá inesquecivél. Provavelmente já sabiam isso, o que se calhar não sabem é que havia uma ordem gradual de importância nos nomes que disse, uma espécie de hierarquia sentimental do que significaram para mim. O penúltimo nome dessa lista foi o da Mia, e essa também é uma história que ainda está por contar, mas vamos começar pelo último nome de todos.

Foi no primeiro sábado de dezembro. O grupo de comédia do Kevin ia dár um ultimo espectaculo na Union, e eu que já tinha faltado aos outros todos, prometi-lhe que ia e combinei com o Jason mandar-lhe uma mensagem para saber onde ele estava assim que estivesse despachado.

Ele estava no Crazy Horse, um bar no cruzamento da Kirkwood com a College onde os MBA's se costumam juntar, e na ponta oposta da mesma mesa corrida, ela e as amigas. Sem conhecer uns nem outros, eu, sozinho a meio da mesa ia fazendo por ignorar a conversa pretensiosa dos MBA's e os avanços inuteis de uma miuda estranhissima amiga do Jason que guardava o telemóvel no decote (??). Estava muito mais atento á conversa dela com as amigas à espera de algo que pudesse usar para me intrometer. Falavam de homens, relações, maquilhagem enquanto empurravam as palavras com um Manahattan e ela me olhava pelo canto do olho à espera que eu dissesse qualquer coisa. Uns olhares encorajadores depois, eu disse.
- "Desculpem, a mesa não é longa o suficiente para não ouvir a vossa conversa, e falarem de rapazes, namoros e maquilhagem enquanto bebem Manhattans, faz-me sentir num episódio do Sexo e a Cidade."
Ela disse que ia entender como um elogio, e eu que foi como elogio que o disse e juntei-me ao debate a advogar para o lado dos rapazes.

O Jason que não perdia uma oportunidade de fazer de "wingman" sentou-se ao lado da amiga dela assim que me viu falar com elas e ficámos os quatro a na conversa até o bar fechar e correrem connosco de volta p´rá neve. Ficamos cá fora a falar e despedimo-nos sem trocar nomes nem números, mas antes de irmos embora o meu fiel wingman diz:
- "Não podemos deixar a noite acabar assim! Porque é que não trocamos de telefones e continuamos outro dia?".

Mulher muito emancipada, pegou no meu telefone, guardou o nome e o numero e devolveu-me como uma raquete a bater a bola de ténis para o lado de lá da rede.
- Your move! (,
Levámos-as ao carro e seguimos para casa entre sorriso rasgados e high-fives! No domingo mandei-lhe uma mensagem que começava com "Estou há meia-hora à luta com esta mensagem e só quero dizer que adorei a noite de ontem. Se tiveres tempo, podiamos almoçar esta semana.". Assinei primeiro e último nome, na esperança que ela me adicionasse no Facebook. Ela respondeu que tb tinha gostado, e que ia estar ocupada até 5ª feira, mas que se eu não tivesse outros planos, podia ficar já marcado para 5ª, e ficou.

Ela era bibliotecária (hotness!) a tirar um mestrado em manuscritos e livros raros, achei que um manuscrito de Da Vinci encontrado numa biblioteca em França era a desculpa ideal para lhe dizer "bom dia" na segunda-feira. Continuamos a trocar mensagens e disse-me que à noite ia estudar para a biblioteca que quando quisesse fazer uma pausa no estudo, podiamo-nos encontrar na PourHouse para um café, e assim foi. A pausa para o café ditou o ponto final ao estudo. Levou-me a casa, e beijámo-nos.

Morávamos na mesma rua, e trabalhávamos em edificios opostos da Showalter Fountain, ela na Biblioteca da Lilly e eu no Instituto de Artes e Telecomunicação e desse dia em diante iamos juntos para o trabalho de braços entrelaçados a lutar contra o frio e jantávamos juntos no regresso a casa. Foi o mais perto que eu tive duma relação enquanto lá estive, daí o nome dela ser o último da lista.

Fui sempre super atencioso com ela, super querido, um cavalheiro, isto num país onde o expoente máximo do cavalheirismo é lembrarem-se do nome delas na manhã seguinte. Fui o "date" dela para o jantar de natal da biblioteca essa sexta-feira e fui buscá-la com flores e o Livro do Desassossego em inglês que mandei vir do Ebay a correr para lhe oferecer. No sábado, foi ela o meu date para uma "house party" na casa da Sarah.

Ela voltava para casa em Annapolis em Maryland na quarta-feira e queriamos aproveitar o tempo que restava. Tivemos juntos no domingo, e na segunda encomendámos pizzas e vimos O Sitio das Coisas Selvagens sentados no sofá. Eu na terça tive um jantar de despedida do pessoal da Kelley e mandei-lhe uma mensagem quando me despachei a saber se ela queria que eu lá passasse. Ela não respondeu, achei que ela já devia estar a dormir, mas mandei outra mensagem a dizer que gostava de a ver antes de ela ir embora, nem que fosse ás 7 da manhã.

Ela respondeu na manhã seguinte, 15 minutos antes das 7, dizia que sim "já estava a dormir, desculpa não ter visto a mensagem". Eu perguntei se se estava a despachar para se ir embora e ela respondeu,
- Não, já fui.
Engoli em seco e desejei-lhe boa viagem, à noite mandei-lhe uma mensagem a perguntar se tinha chegado bem e a dizer que tinha sido uma falta de consideração ter fugido da cidade a meio da noite como um fora-da-lei sem sequer um adeus. Ela respondeu a dizer coisas horriveis de mim. Uma versão distorcida de tudo o que tinha acontecido entre nós desde a noite no bar e onde a ofensa e a acusação faziam de argumentos para justificar o que ela tinha feito. Pintou-me o pior tipo do mundo e frisava o erro que tinha sido ter-se deixado enganar pelo meu plano para a usar.

Gravei o video depois disso, agradeci-lhe por último e disse que tive sempre orgulho de estar ao seu lado. Carreguei o video no Facebook e marquei nele todas as pessoas que mencionei. Não a consegui marcar a ela, e quando fui ver porque, era por já não sermos amigos. Mandei-lhe uma mensagem com o link e acrescentei, "Quão irónico é descobrir que não somos amigos, ao tentar marcar-te num video onde falo do orgulho que senti do teu lado? Quanto é que isso te diz de mim? Quanto é que isso me diz de ti? Adoro as tuas verdadeiras cores." Ela não respondeu, eu não lhe disse mais nada. Foi a última vez que falei com a Catherine.
Free counter and web stats