Episode I - The Phantom Menace

Chamava-se Carolina, e pela altura que o mundo mudava de milénio, era o alvo da atenção de metade dos rapazes do Barreiro, e da minha também. Felizmente para mim, ela era tanto o alvo da minha atenção, como eu era da dela.

Lembro-me como se fosse ontem da noite em que começámos a namorar, no "Escondidinho", um restaurante arrumado no cantinho mais distante do antigo Forum Barreiro. O empregado que nos atendia perguntou-me o que é que a minha namorada ia tomar. Eu ri para ela, e ela riu de volta e o empregado perguntou se não era namorada... a Carolina disse que era, e nesse instante, passou a ser.

Suponho que a razão de cada outro rapaz no Barreiro gostar dela era por não haver muito nela para não gostar, ela era irresistivél. Durante imenso tempo foi a miúda dos meus sonhos, não havia nada que eu não gostasse nela, o tom da pele, o cabelo muito comprido, as meias de liga de vidro que ela não usava com o vestido verde, porque a electricidade estática atraia o forro e vinca-lhe a pena. Tudo nela era delicioso. Imaginem namorar com a miuda dos vossos sonhos!

Tinha-a num pedestal e esforçava-me imenso para a merecer, queria que ela achasse que eu era digno de namorar com ela. Que parvoice não é? Eu sei, ou sei agora, melhor que o sabia então. Se o filme que eu escolhia para irmos ver era uma porcaria, sentia-me pessimamente por isso. Se me perdia a caminho do restaurante achava que ela ia perceber a fraude que eu era e acabar comigo.

Acabei por seu eu a acabar com ela, Achei que a pressão era mais que aquela que eu conseguia aguentar. Arrependo-me imenso disso, não por achar que ainda podiamos estar juntos hoje (não podiamos), mas pelas implicações que teve na minha vida. Namorámos tão pouco tempo, que nem chegamos à parte dos problemas, á parte feia e menos boa de estar com alguém, a fase que acaba por fazer vingar ou quebrar todas as relações, e quando todas as relações, muito mais sérias que vieram depois da Carolina chegavam a essa parte e acabavam, aquilo de que eu me lembrava era de que com a Carolina nunca houve problemas, mais por não ter tido tempo para isso que por outra coisa qualquer, mas como em todas as outra coisas que lhe diziam respeito, o meu julgamento sempre esteve um bocadinho toldado. Namorámos pouquissimo tempo, levei para sempre a esquecê-la.

Pouco falámos depois de acabarmos. Ela mudou-se para Lisboa e pouco tempo deois juntou-se com  o namorado, um tpo mais velho (tipico da Carolina) chamado Gil. Eu aproveitava o aniversário para lhe ligar e ou o Natal para lhe mandar uma mensagem e durante anos foi todo o contacto que tivemos um com outro, até uma noite de Dezembro de 2006 em que ela me deixou um comentário aqui no blog.

Liguei uns dias antes da passagem de ano e combinamos ir lanchar dia 2. Encontramo-nos à porta da biblioteca e eu sentia-me um miúdo na vespera de Natal. Fomos lanchar ao miradouro de Almada, e ficamos a por a conversa em dia até há hora de jantar. Tentámos o Amarra-O-Tejo, que por ser o 2º dia do ano estava fechado. Tentámos a Praia do Rosarinho, e estava fechado também, e acabamos por jantar no Afreudite da Expo. Depois fomos ao FoxTrot e como nem ás 3 da manhã queriamos que a noite acabasse, fomos para a  Merendeira da 24 de Julho a comer pães com chouriço e caldo verde até ser quase dia.

Começamos a sair mais vezes depois disso. Eu ia almoçar à faculdade dela, e conhecer as amigas dela, ela vinha almoçar à minha e conhecer os meus, e passaram-se uma semanas assim e a cada saida eu percebia melhor o porque da nossa re-aproximação. Ela tinha ido de ferias com as amigas, e quando voltou o descobriu que o namorado a tinha traido com a secretária, e ela, demasiado agarrada à vida que tinha com ele, sem coragem para bater com a porta, deixar Lisboa e voltar para a casa da mãe no Barreiro e reconhecer que tinha sido tudo um erro... mais que isso, a miuda que uns há uns anos atrás reunia a atenção de metade dos rapazes do Barreiro, via-se a viver o cliché do "maridinho" a ter traido com a secretária, e precisava de alguem que a fizesse lembrar dos seu tempos auros de Santo Graal do Barreiro e ajudasse a sentir isso tudo outra vez... e quem melhor que eu?

Mas a massagem que lhe dei ao ego não bastou. Qual é a dificuldade em conquistar alguem que sempre morreu de amores por nós? Ela precisava dum brinquedo novo, alguém que ela pudesse conquistar de raiz, e provar a ela mesmo que era ainda tão irresistivel como dantes. O alvo foi o meu melhor amigo da faculdade que (e eu não o censuro) se deixou levar por exactamente as mesmas coisas que eu me deixei levar 6 anos antes. Nunca mais falei com ele.

Namoramos um mês, e pensei nela os seis anos que se seguiram, anos em que foi assombrando todas as relaçõe que eu tive entretanto e no fim, foi só preciso outro mês para eu a ver por aquilo que ela era, tão distante da imagem imaculada que eu guardava dela. Nunca mais falei com ela, e ela, não me assombrou mais vez nenhuma.
Free counter and web stats