Episode III - Revenge of the Sith

"A melhor maneira de atrair novas desgraças, é insistir em falar das antigas", já não me lembro onde é que ouvi isso, mas ficou comigo desde então. Daqui a 3 meses este blog faz 8 anos, e é isso não é? Que outra coisa é este blog senão uma colecção de desgraças que se têm perpetuado desde que ele começou? O meu namoro mais longo acabou um mês depois deste blog começar, e desde então mais nenhum outro durou. Não pode ser só uma coincidência, pode?

Se calhar é esse o padrão, a constante. Sempre achei que a razão para a sua longevidade, era a infelicidade da minha vida ter desventuras e desilusões de sobra para o manter, e se calhar é ao contrário, não é tanto o ter desgraças que o sustentem como ser ele o causador de toda a desgraça que mais tarde ou mais cedo, dá lugar a mais um post sobre outra rapariga qualquer que me partiu o coração. Para meu mal (e bem do blog), elas não param de surpreender e encontram sempre maneiras novas e imaginativas de o fazer, assegurando-se que causam o maior estrago possível no processo, tornando este blog interessante (espero eu).

Devia fechá-lo de vez e quebrar a maldição, este ciclo de desgraças que duram há mais tempo que aquilo que por norma gosto de admitir, mas sem blog então nada de bom resulta do mal a que, palavra de honra, já me vou habituando, e, muito à custa das lições que vão ficando a cada post e cada história que ele conta, vou aprendo qualquer coisa. Acho que o que de mais triste se pode dizer deste blog, é que tudo nele é verdade. Tentei acabar com ele por duas vezes, é obvio que não consegui (estão aqui não estão?). Estes desabafos fazem já demasiado parte do processo que é ultrapassar seja o que for que aconteceu desta vez para conseguir ficar sem eles.

A última vez que o tentei apagar foi há uns meses atrás, fruto de mais uma história que não desiludiu, com tanto de trágico como fascinante e inacreditável. A primeira vez que acabei com o blog foi há 7 anos, em Dezembro de 2004, um ano depois de ele ter começado. Tive-o fechado durante 4 meses, e tal como Julho deste ano, também Maio de 2005 só teve um post publicado chamado One Last Lesson onde falava de duas raparigas que na altura acreditava serem os amores da minha vida. As raparigas de que esse post fala são a Carolina e a Ana Linda, as mesmas dos dois episódios anteriores e contextualização para este.

Lembro-me que quando o escrevi, esse era dos textos de que mais me orgulhava, tinha 23 anos na altura e falava de como não devíamos deixar escapar a oportunidade que a vida nos dava com as pessoas de quem gostamos, de que deviamos lutar por elas e dar-lhes o nosso melhor, e que o peso de consciência de não o fazer, mais tarde ou mais cedo vinha ajustar contas connosco; mas mais que isso, tentava explicar que quando somos novos achamos que "ao longo da longa vida que temos pela frente hão-de certamente aparecer miúdas mais giras ...". e não é bem isso, na altura não sabia, mas agora sei, não é "aparecer miúdas mais giras", é só "aparecer mais miúdas!", porque não aparecem, ou aparecem, mas não daquelas que importam, daquelas que contam, das que vão fazer a diferença.

Passado dois anos revi a lição inicial num outro post, nessa altura gostava de uma rapariga chamada Sofia, que à sua maneira, invariavelmente criativa, me mostrou que não gostava assim tanto de mim, mas não sem antes se divertir o suficiente à custa dos meus sentimentos que eu tinha por ela. Típico, mas o que guardei da 2ª lição, ou aquilo que gostava que guardassem é que os supostos amores da nossa vida "aparecem sem avisar em lugares e pessoas onde nunca as pensaste encontrar".

Acho imensa piada à arrogância dos meus 23 anos. Achamos que sabemos tudo e estamos convendissimos que a vida já não nos reserva grandes surpresas, e que sabemos como tudo vai acabar. Tenho 30 agora, e mais que perceber que não fazia ideia daquilo que estava a falar, percebo que o pouco mais que sei agora só me mostrou o quanto desconhecia de tudo e o quanto ainda me falta saber.

Isto vai-vos soar bué piroso, mas cada vez mais vejo a idade como uma montanha que vamos escalando, que quanto mais velhos ficamos, mais alto subimos e não só compreendemos melhor aquilo que ficou para trás, como temos uma melhor noção do que (quem) está à nossa volta. E se calhar é isto que aprendi, aquilo que quero que guardem desta vez, Do alto dos meus 30 anos vejo melhor que dos 23, e consigo-vos dizer que de entre a imensidão de raparigas sobre quem escrevi nestes 8 anos, desta infindável lista de nomes que povoam estas paginas, de entre todas as aventuras e desventuras e desilusões amorosas sobre raparigas que me deixaram o coração em cacos, depois da poeira acentar sobre elas, olhando para trás as raparigas de que gostei, consigo dizer-vos que de entre todas elas houve uma, vá, duas, com quem acredito que podia ter sido genuinamente feliz, e vejo agora que não era nenhuma daquelas que na altura achei que ia ser, uma delas nem nunca chegou a ser minha namorada ("pessoas onde nunca as pensaste encontrar" lembram-se?) mas que eu sei! Sabem? Porque estas coisas sabem-se!

Escrevi o primeiro post para a Carolina e para a Ana, que achava então serem os amores da minha vida. Escrevi o segundo para a Sofia. Já não falo com ela, com nenhuma delas, e não faz mal... não eram elas, nenhuma delas.
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