Crónica de Praia Escrita no Telemóvel

Sou mais um tipo de pernas, mas o rabo da miuda deitada de barriga para baixo e pés para mim no toldo à frente está a dar-me a volta a cabeça. Vai-se levantando em intervalos mais ou menos regulares para retocar o protector e a velocidade a que as curvas lhe voltam ao sitio a cada passagem, vai-me dando pistas da firmeza daqueles contornos.

É feia, ou não é feia, só não é muito gira, ou não tão gira como uma outra rapariga, duas filas à frente e tres toldos para a direita, que para lá de mais gira, tem um rabo perfeitinho e peito a condizer. Há ainda uma outra e a amiga dela, cabelo e bikini preto deitada à frente da linha dos toldos que de entre as três era a que levava para casa. O nadador salvador deve pensar como eu, e foi mesmo agora meter-se com ela. Ouvi-a falar... é espanhola... o banheiro que fique com ela.

É esta a consequência de não se estar apaixonado durante o verão, a de nos apaixonarmos pelo verão em si, e pelas miudas que desfilam pela praia em bikinis mais curtinhos que o do dia anterior. Não que o tenha visto, mas as linhas de brozeado a contornar-lhe a coxa e o decote, asseguram-me que o de hoje é mais pequeno que o de ontem e me fazem esperar anciosamente pelo de amanhã, a mostrar mais que aquilo que o de hoje deixa ver.

Todas esta miudas juntas e semi-nuas, criam um efeito "Cheerleaders" passando a ilusão de que todas elas são fora de série, com rabos desenhados a compasso e peitos habilmente esculpidos, mas eu culpo o bronze por isso. Tenho a certeza que não olhava duas vezes para nenhuma delas se vestidas, calhassem a cruzar-se comigo na rua, e ainda assim, aqui deitado, não consigo tirar os olhos do rabo da miuda estendida na areia ao meu lado e da hipnotizante cicatriz qual Harry Potter que ela tem na nádega esquerda.

Acho que vou à  água, preciso de me abstrair disto, arrefecer o corpo e esfriar as ideias, que não sei por quanto tempo mais consigo resistir à tentação de estender a minha toalha ao lado da dela, sacudir-lhe a medalhão de areia que o bronzeador lhe colou na coxa e digo "aposto que essa cicatriz tem uma história... ".



Toldo nº4, Praia dos Pescadores, Armação de Pêra, 10 de Agosto de 2011
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