Statu Quo

As piores perguntas que me podem fazer, são as que sou o único que as pode responder. O meu filme preferido? Sei lá! Escolho um que vi e adorei, ou aquele vejo do principio ao fim por mais vezes que passe na televisão? Música favorita, pior ainda! Se de filmes tenho de escolher de entre mil, musicas tenho de escolher de entre um milhão! É o "Let's Get It On" do Marvin Gaye! Não não não, o "Fast Car" da Tracy Chapman... mas a versão acustica! "Both Sides Now" da Joni Mitchel é a minha resposta final! Não é nada,  lembrei-me agora do "Crazy Love" do Van Morrison, e agora do "Sitting On a Dock of a Bay" to Otis Redding, e o "Send In The Clowns" do Frank!... Percebem o que eu quero dizer? Banda predilecta? Melhor concerto? Não há pesquisa de Google que responda ao que é suposto sabermos de nós. E a pior de todas as perguntas, aquela a que não nos perdoávamos se não soubessemos responder foi a de sexta-feira. De quantas raparigas já gostaste? A Resposta? Três! Uma para cada decada.

A primeira rapariga que gostei, o amor antes dos vinte! Conhecemo-nos no verão de 2001. Começámos a namorar 6 meses depois e estivemos juntos 3 anos, foi o meu namoro mais longo até à data, e desde há uns tempos para cá que tudo isto se tornou claro para mim. Familia, amigos, ainda hoje me dizem que achavam que iamos ficar juntos, que era a miúda certa para mim. Já passei a fase da negação e de fazer questão de os contrariar por orgulho. Eles tinham razão, era a miúda certa para mim, como provavelmente eu era o miúdo certo para ela, não fosse por esse pequeno senão, o de sermos miúdos. Via-me a passar o resto da vida com ela e foi assutador. A ideia de que ela ia ser a ultima miuda com quem eu estava era mais que aquilo que estava preparado para lidar, numa idade em que estava desejoso de descobrir o que o mundo tinha para oferecer.

Claro que em cima desse houve uma série de outros problemas e asneiras tipicas da idade e do feitio de cada um que eventualmente levaram ao fim do namoro, mas mesmo depois disso, mesmo que chegassemos a estar afastados por longos periodos de tempo, periodos em que andei e gostei (ou achei que gostei) de outras raparigas, ela arranjava sempre maneira de voltar a infiltrar-se na minha vida, e eu maneira de deixar, porque a verdade é que havia entre nós aquilo que toda a gente via, e que agora vejo eu também, mas conhecemo-nos cedo demais, eramos os dois demasiado novos, e pela altura em que tinhamos idade para fazer a coisa certa, já demasiada água tinha corrido debaixo da nossa ponte para ficarmos juntos. On and off, esteve presente na minha vida até eu ir para Washington e conhecer um  novo amor. É giro como as coisas funcionam. Sempre acreditei que era tê-la a rondar-me a vida que impedia outro amor de aparecer, e foi ao contrario. No dia em que a segunda apareceu, deixou de haver lugar para a primeira. (O teu passado fica para trás à velocidade que andas com a tua vida para a frente?)

A segunda rapariga que gostei, o amor dos vinte. Li há pouco tempo que quem nada te acrescenta, nenhuma falta te faz, e sei agora, melhor até que aquilo que sabia então, que nenhuma outra rapariga, me acrescentava como ela. Tínhamos tanto para aprender um com o outro, o suficiente para durar duas vidas. Acordava todos os dias ao lado dela, e sentia que um dia ia acordar com um filho a dormir entre nós, e que tinham passado quarenta anos sem darmos por eles, a diferença para o rapaz de 19 anos que tinha sido era a ideia já não me assustar e eu estar preparado para isso, até queria. Éramos a receita perfeita para um desastre, não podíamos ser mais diferentes e ainda assim tinhamos dado certo não fosse termo-nos conhecido numa altura super conturbada das nossas vidas. Aturou-me as birras todas e ficou comigo. Mais tarde tentei eu aturar-lhe as birras todas e ficar com ela, não resultou.

Com os anos vamos tendo uma melhor noção das relações e do que vai acontecendo nelas, suponho que seja algo que chegue com as lições que vão ficando das mazelas e dos corações partidos, mais até que dos corações partidos, do recobro! O tempo que levamos a esquecer alguém é um óptimo indicador do amor que lhe tivemos. O amor é muito mais aquilo que não sabes, mas sentes, que aquilo que julgavas saber. Há uma razão por detrás de cada perdão, de cada desculpa depois de uma discussão ou a quantidade de coisas imperdoáveis que perdoámos. É a vontade ficarmos juntos, a noção de quão precioso é o que se tem, e o desejo de não o perder. O tamanho de um amor é medido nas barreiras do que ele ultrapassa. Quis voltar para ela por saber desde logo o que tinhamos perdido os dois, mas faltou-lhe aquilo que aos 23, o tempo ainda não teve tempo de ensinar, e perdemo-nos um do outro. Nos entretanto houve outras raparigas, raparigas extraordinárias (o amor é tão arbitrário), que nunca fazeram sombra ao amor que lhe tive. Custou-me imenso e durante imenso tempo e continuou a custar até ao dia em que apareceu alguém que fez à segunda, o que ela fez à primeira. Fiz as pazes com o fim, no minuto em que conheci a terceira. O amor depois dos vinte, dos trinta, a ultima rapariga que gostei, e prometo que vos falo dela no dia em que a quarta lhe roubar o lugar.
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